"A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável" ( Gandhi)

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Parque II




Sempre me perco imaginando como seria voltar aos tempos de minha infância, aos tempos em que tudo era simples, uma pequena ciranda, ou uma roda gigante. Nos tempos em que pessoas eram humanas, ou pareciam ser, e o mundo era um lugar bom para se viver. Nas minhas brincadeiras de esconde-esconde, eu me escondia, mas sempre me achavam. Hoje, eu não me escondo e ninguém me acha. Era o tempo em que o meu coração batia, agora ele apenas demonstra que ainda sente, mas não como antes. Toda a minha apreensão foi despedaçada, a minha pequena fotografia quebrada pelos meus próprios pés. Agora percebo que o meu apreço é tentar fingir que nada mudou. Eu me lembro da pequena rosa que te dei, não sei se ainda a tens, mas era branca, tão quanto o céu, tão quanto eu. Eu que sempre fui a branquela queridinha da família, agora fujo de todas essas contradições. Fujo correndo em meu pequeno parque no qual um dia tanto brinquei. Corro pulando sobre as poças de lama causadas pela chuva e pelo mau trato que fazem a ele. Vejo meu parque em ruínas; minha roda gigante não gira mais, os cavalos não mais galopam flutuando no ar, minha gangorra está subterrada em meio a tanta areia, e o algodão doce não fazem mais. Corro à procura de minha última e primeira lembrança, meu palhaço querido, o único à que quero bem, o único que me fazia rir sem ter medo. Mas não o encontro, me esqueceu? Não se lembra mais de mim? Não sei seu nome, nem onde mora, mas o tenho como meu amigo primeiro, o qual não esqueço e não preciso lembrar. O meu palhaço favorito dentre os palhaços, a mais ingênua ilusão, a mais terna lembrança de minha infância.