"A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável" ( Gandhi)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Nada somos.

-Isso é nada. Nada é o que eu sinto. Nada é o que sou. Sem você, nada me tornei.-

Quando começamos com toda essa discussão? Não me lembro, apenas tento esquecer. O seu rosto permanece em minha mente, mas eu sei o que devo fazer. Não me diga que não devo ir, pois esse é o meu destino, apenas deixe-me ir. Deixe-me livre. Quando não temos mais nada, não fica tão difícil tomar certas decisões. E o que queremos é um lugar longe daqui, como um refúgio. Mas eu juro que não iria tão longe, não é um simples “capricho”, é apenas uma vontade que me invade o peito. Luzes piscam em minha direção, ou estou em um sonho. Eu quero voar sem ter asas, eu queria ser eu. Se você me der sua mão, nós podemos voar por cima desses problemas, nós voaríamos sobre o mundo. Mas não somos capazes de sentir o que deveríamos e de repente tudo fica assim como uma simples obrigação, e nós nunca seremos o que devíamos ser.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Hum... é, talvez, quem sabe.

sábado, 13 de dezembro de 2008

;~~

Canção da Garoa

"Em cima do meu telhado
Pirulim lulin lulin
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.

O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.

E chove sem saber por quê...
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin ..."

Mário Quintana

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O parque.




Eu ainda me lembro de quando...
Sentávamos no parque e ficávamos apenas ali, sentados nos bancos, calados, olhando o pequeno lago, que ficava um pouco a diante dos brinquedos e do balançador. Costumávamos nos balançar o dia todo, mas para nós o tempo não passava. E prestávamos atenção em cada movimento, cada sussurro, cada acontecimento que lá se faria presente.
Uma criança passava correndo, demonstrando em sua face a verdadeira alegria, a total inocência. Outra fugia dos braços de sua mãe e corria ao redor de todo o parque. Corria livre, mas ao ver os pombos ia logo ao encontro deles e eles, assustados, batiam suas asas e voavam sem rumo ou direção. Nós costumávamos nos perguntar se ela queria assustá-los ou se, talvez, ela quisesse apenas brincar com eles. E a pobre criança saia aos prantos, assustada porque eles voaram e nem quiseram com ela brincar.
Você costumava rir de mim. Sempre se aproveitava de mim para se divertir um pouco mais. Como quando nós tomávamos sorvete, sentados nos bancos, conversando e você sempre falava algo que me intrigava, pois eu demorava um pouco para entender – ou para prestar atenção.
Eu ficava completamente perplexa, pensava no que você havia me dito e nem sequer notava que todo o meu sorvete tinha ido ao chão. Você ria, ria de mim, ah, era uma tortura. E você tirava o dia todo para me lembrar dos meus descuidos. Mas até eu ria de mim mesma, sempre fui um pouco... não, sempre fui muito desligada.
Você dizia que eu vivia nas nuvens, que já estava na hora de pôr os pés no chão. Mas eu queria tanto voar que às vezes me esquecia disso.
Ah, eu queria tanto...
Você me dizia que se eu ficasse sozinha seria capaz de afundar em mim mesma, de tão concentrada que estaria em mais uma estória inventada que nunca aconteceu. É, mas você sempre gostava das minhas estórias, talvez porque elas sempre tivessem um pouco de você.
Lembro-me do teu sorriso, do teu olhar, teu jeito chato e encantador que me fazia sentar durante horas em frente ao lago, apenas para conversarmos, ou, simplesmente, para ficarmos observando o mundo.
Eu permanecia mais dentro de mim do que dentro do próprio mundo. Mas você sempre foi comunicativo, conversava com qualquer pessoa, fazia amizades mais fácil que eu, que sempre fui difícil se tratando em me doar um pouco aos outros, mas você nunca teve dificuldades quanto a isso. Eu me sentia bem perto de você.
Uma vez você me disse que o amor nunca morre, ele apenas muda de endereço. Eu ri, e tive que concordar com você. Aliás, você sempre achava que estava certo mesmo, então não faria tanta diferença.
Passou o tempo e ainda me lembro de tudo entre nós; dos momentos que passamos sentados no parque, das pessoas que ali passavam e deixavam um pouco de si.
E hoje, eu sei que você estava certo. O amor não morre, ele apenas muda de endereço.

"Thank you"

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

SER.á





Eu não quero esse SER...
Esse SER previsível,
De jogadas marcadas
Esse SER sano e completo.
Quero o Ser imprevisível
Sem data ou hora para terminar,
O Ser que será sempre o meu ser.

E enquanto esse SER reclama,
Insiste, prossegue
Esse SER sem escrúpulos
Que pela alma se padece
Se encontra à margem
De um sentimento qualquer.

Não quero esse SER que
Pensa, que age, que quer
Sempre a perfeição
Quero esse Ser que faz,
Que espera. Que possui
A imperfeição em suas veias
E nas mãos o sentimento
De todo um mundo.

Não quero um SER
Que fale. Quero um Ser
De palavras internas,
Quero um Ser que sinta
E que não compreenda
A razão de ser quem é - seu Ser.

E mesmo sendo esse SER,
Não perderei as esperanças
De um dia ser esse Ser
Que fala sobre a alma
Das palavras.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

J'en ai Marre



Eu vejo o mundo lá fora, e ele me dói... Je suis fatigué

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Querida Nancy



Caiu na cama, exausto, mas sabia muito bem que demoraria para pegar no sono. Era o aniversário dela. E era tão jovem, o que realmente teria acontecido?
Em sua casa flutuante ele tentaria dormir àquela noite. O leve movimento das ondas. A brisa do mar. E a tempestade em sua cabeça.
Não esta noite.
Pensou em talvez não passar essa noite sozinho. Ele não conseguiria dormir.
Sim, houve mulheres em sua vida. Mas que inferno. Ele se apaixonara logo por ela. Se apaixonara por ela naquele tempo. E agora...
Agora ela era um fantasma em sua vida. Um espectro.
Às vezes, podia jurar que ouvia a risada dela, tão feminina, tão bonita, quase trágico.
Comparava-a com todas as mulheres que encontrava. Mas, no entanto, nenhuma se parecia ou, ao menos, era comparável com o seu jeito; forte e tão decidida.
Adormeceu. Acordou depois, banhado em suor, e tornou a mergulhar no pesadelo.
E ele estava lá. E ouvia a voz dela...
Ela se perdera para sempre...
Era sua parceira. Não esconderia algo dele, pelo menos, ela insistira que não. Nunca saberia.
Ela morrera. Morte acidental, fora a conclusão.
Ela se fora.
E ele nunca encontrará ninguém como ela.
De repente, algo perpassou sua mente.
Um breve clarão... Mais cedo, sentira um gosto esquisito de ... Um gosto de ...
Lembrança.
Algo, ou, alguém havia lhe trazido de volta aquele jeito que só ela tinha, a sua lembrança torcia sua mente, era como se ela estivesse lá.
E ela tinha a capacidade de marcar seu território, destemida, falando o que pensava...
Deixando sinais de magnetismo atrás de si.
Sentiu como se, de súbito, lhe tivessem jogado um balde de água fria.
Tinha uma esperança danada de que ela não lembrasse tanto Nancy. Uma mulher com ética demais, determinação demais - e sem bom senso para saber o que era ter medo.
Ele nem a conhecia. Não tinha nada mesmo a ver com a vida dela. E talvez nem fosse assim tão parecida com Nancy; talvez ele tivesse feito a associação apenas por ser o aniversário de Nancy.
...
Nancy havia morrido há cinco anos.
Para ele esse tempo não havia passado, e cada ano desgraçado era uma estaca, era um puxão de sua memória para o simples passado.
Memória perfume.
E ele podia jurar sentir o cheiro do seu perfume, o cheiro de rosas sobre a atmosfera, e ela poderia estar ali, ao seu lado agora.
Talvez ela estivesse sempre ao seu lado.
Nancy tinha vinte e cinco anos. E hoje era o seu aniversário.

sábado, 22 de novembro de 2008

Belo Vôo




Flores, jasmins na imensidão sem fim
Na luz, em um pomar no meu jardim.
De dia uma borboleta vem passear.
A noite ela se exalta e põe-se a dançar.

No pólem das flores diante do meu olhar
Para, explora, vaga sobre todo o lugar.
Nas margaridas, fazem suas vidas
Suas preces, seus anseios.

Tanta vida morrerá em menos de dois dias.
Suas asas frágeis irão contra o vento,
Algo irá as machucar.

Sem leito, sem jardim, sem flores, sem pomar.
Pobres borboletas como irão ficar
Ofereço-lhe a minha casa, meu cobertor

Volte para o casulo lacrado e vulnerável
De onde nasceu. Lá encontrará a paz,
Não de um dia, mas de uma vida.

domingo, 9 de novembro de 2008

Hoje não dá!




Confesso, eu ia postar algo, mas, no momento, não estou muito certa dos meus pensamentos e nem, tampouco, das minhas palavras. Então é melhor deixar as coisas assim como estão.
Porque é difícil falar de algo que realmente seja real. Pensei, repensei e vi que hoje, realmente, não dá. Como diz certa música, não sei se vocês conhecem, mas eu conheço muito bem, "Os Anjos", esta música fala sobre o que eu gostaria de dizer "hoje não dá, hoje não dá, vou consertar as minhas asas quebradas e descansar", eu sei que muitos de vocês ou certamente todos acham Legião Urbana uma besteira, uma merda, uma banda simples que canta músicas lesadas e têm outros que acham até mesmo de brega (o que é um grande descaso, essas afirmações só fazem sentido para quem não entende nada de música, ou melhor, pra ser sincera, "porra nenhuma" de música, não sabem ao menos o que é música de verdade).
E é isso que eu quero fazer hoje, concertar as minhas asas quebradas e descansar, não quero pensar nos problemas, tampouco, na maldade que há nesse mundo - no coração de tantas pessoas. Não quero mais saber o que é certo ou o que é errado, quero apenas fazer o que me convém e o que me vem a ser certo. Não quero julgar, nem determinar limites para a maldade, pois ela não tem fim. Todo dia acontecem crimes artroses e não podemos fazer nada contra isso, gostaria ao menos de não saber que existe o mal, que existe o bem. Só por hoje, não vou me preocupar com o que sou ou com o que serei, pois eu me fiz assim, e não quero, não vou mudar o meu jeito de ser, de agir e de pensar por incertezas e dúvidas. Só por hoje quero estar completamente em mim.

P.S: Eu não pretendia escrever isso ;S, mas, bem, fazer o quê, certas coisas precisam ser ditas. O que eu ia escrever fica pra depois...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Amanhecer




Hoje eu vou descansar
Esperar que o mundo pare
Pois hoje está tudo sobre mim
O sol não quis te acordar
A lua não se escondeu na noite
Atrás de uma nuvem qualquer
O relógio correu com a pressa dos dias
Seis, Nove, Dez...
... Infinitos são os segundos para viver,
Para perder, para morrer
Nós morremos diante do tempo
À espera inútil de que ele parasse
Que nos notasse
Mas o sol amanhã vai estar lá
E de noite, a lua ainda irá brilhar,
Com o céu, com as estrelas
Esta onde começa e termina
Mais um dia à espera
Que o tempo pare

domingo, 19 de outubro de 2008

Só para quem ama ler!




Para vocês que adoram livros!

Este livro vem como uma metáfora explicitamente literária. É um daqueles livros que você começa a ler e já se sente atraído para o fim da história, e cada página é uma tortura, pois não se sabe o que vem asseguir e às vezes nem queremos saber, queremos apenas ler e ler e continuar a ler, e continuaríamos lendo sem nos dar conta do tempo que passou, pois para nós tudo se passa ali entre àquelas páginas. Confesso, certas páginas me deixaram sem ar, - se é que isso já aconteceu com você, bem, acho que sim - na medida em que lia me esquecia do tempo e sentia um aperto no peito, estava tão concentrada diante daquelas palavras, pronunciadas em tão pouca fé, que quase, até mesmo, não conseguia respirar, - nossa, como uma pessoa se esquece de respirar!? rsrs - tamanha era a minha curiosidade, não, com certeza não era curiosidade, nem mesmo ansiedade, estava demasiadamente paralisada, digamos quase que "hipnotizada" diante daquele livro.

Sabem que até é compreensível esta história de que o livro Perfume fosse "infilmável".
As sensações vividas no livro são quase que impossíveis de serem transpostas para o filme, acredito que o diretor tenha sofrido com isso. O filme não passa tudo realmente, e para quem quer saber realmente toda a história resta ler o livro. E não é um filme de gosto universal por ser extremamente filosófico.

O escritor alemão Patrick Süskind conseguiu imprimir nas páginas de seu best-seller um universo repleto de odores, fazendo com que o leitor mergulhasse numa dimensão alternativa e vivesse através do olfato de Jean-Baptiste. “O Perfume – A História de um Assassino” (1985) é considerado por muitos leitores e críticos uma obra-prima da literatura mundial contemporânea, sendo traduzido para mais de 37 países e vendido mais de 30 milhões de exemplares.

O livro descreve fielmente as cidades e os costumes vividos da época, empregados por uma narrativa de alto teor. Narra a história de Grenouille, nascido no lugar mais fedorento da França, o Cimetière des Inocents em Paris. - nessa época reinava nas cidades um fedor dificilmente concebível por nós, hoje,. - Este foi rejeitado pela mãe desde a hora do nascimento. Grenouille possui um dom inestimável: um olfato incrivelmente apurado ou como dizia ele "o melhor nariz do mundo". Mas, no entanto, ao fazer essa descoberta também descobre que de alguma forma ele, Grenouille, o possuidor do melhor nariz, era capaz de cheirar todos os cheiros de uma forma tão exata, mas era incapaz de sentir o seu próprio cheiro, pois não possuía cheiro, não era capaz de exalar cheiro algum. Mas, a sua verdadeira ambição era criar o perfume perfeito, no qual ele usava o cheiro de garotas, geralmente na faixa etária de seus 15 a 16 anos, ou seja, sempre aquelas que haviam recentemente começado a se tornar mulher, e sempre eram as mais bonitas. Segundo Grenouille, a jovem garota tinha um cheiro tão assustadoramente divino que , quando viesse a se desenvolver em todo o seu esplendor, exalaria um perfume como jamais o mundo até então havia sentido.

Grenouille considerava as pessoas burras, pois "só sabiam usar suas ventas para ofegar, mas acreditavam reconhecer a tudo e a todos com os seus olhos. E nenhum deles saberia que não era pela aparência, na verdade, que tinha ficado seduzido, não por sua beleza externa, ainda que imaculada, mas por sua maravilhosa, incomparável fragrância! Só ele, Grenouille, é que saberia, tão-somente ele. Pois já agora sabia disso. "

Livro: Perfume - A história de um assassino.
Autor: Patrick Süskind.

-O Rejeitado -




O Rejeitado não tem nenhum cheiro.
O Rejeitado não tem mãe, pai, tio ou irmã.
Ele supera tudo, pois não tem por quem viver.
Supera a disenteria, queda em poços – tão escuros e frios
Quanto o seu interior – e todos os ferimentos possíveis.
Mesmo assim, o Rejeitado cresce alto e forte.

Concebido na penumbra
Rejeitado desde a hora do nascimento.
Eis o que lhe mantém vivo:
O Rejeitado não necessita de viver,
Apenas existe em seu próprio ser
Longe das ruas da cidade.

E mesmo não tendo cheiro,
O Rejeitado é dotado de um dom inestimável;
A percepção dos aromas.
No campo dos perfumes ele é o doutor.
Diante das flores esbanja talento
Aproveita-se dos perfumes para encobrir a sua podridão
O mau cheiro que emana de seu mundo.
Está é sua arte refinada.

Oh, rejeitado eis o que querias.

O próprio alquimista das palavras.
Encobre seus pensamentos e ações
Restando assim mais um verso
Solto em sua mesa.
Cores, odores, nuances, sabores e essências
Fazem parte... da sua ambição.
Tal sentimento que nos faz sentir ódio, desprezo e amor.

Simula o odor que espira, como
A perdição em um dia de chuva.
Vive em si mesmo
Não grita, não sorri, nem o seu próprio cheiro pode-se sentir.
Monstro que a natureza concebeu.
Não pode retribuir nada ao mundo,
Pois ele finge viver.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Memórias de um Assassinato





Mais uma vez perco a piedade e a compaixão, cometo um crime sem sentir a menor culpa ou pudor. Estou com a consciência limpa.

Lavo minhas mãos diante da possibilidade de tudo dar errado. Espero impaciente, demasiadamente ansiosa, mas espero à hora certa, o momento certo. Saberei no momento o que fazer, mas agora não penso mais e não espero as repostas que procuro.

Pego tudo que preciso para cometer meu delito. Coloco minhas luvas, não quero sentir seu corpo frio, visto meu sobretudo, apanho meu guarda-chuva e saio para as ruas da cidade.

Espero escurecer e, no momento em que a penumbra – quase escuridão –cobre a cidade, passo a me sentir melhor. Sinto-me bem, já de decisão tomada e decido ir em frente no meu plano, feito em momentos de pura insônia e de desumanidade.

Procuro a vítima certa, àquela que sem dúvida me aceitaria sem a menor desconfiança. Preparo meus instrumentos para a hora tão esperada, afino no tom do silêncio. Busco apenas uma “brecha” capaz de me dar a guerra já ganha. Olho para o relógio, já passam das 3:00, esse é o momento de agir!

Dopo minha vítima com argumentos pré-fabricados, me mostro semelhante e capaz de sentir o mesmo. Ofereço-lhe um cigarro, quero que partilhe com o meu vício. E no exato momento faço meu trabalho, faço tudo com o maior cuidado possível – não quero pistas- quero um crime perfeito. Mostro tudo que sou capaz, antes mesmo de começar já anseio o fim. Faço-te, talvez, um favor. Livrando-te deste armário sem luz.

Agora me cinto bem, saciada e explosiva. Nunca havia sentido tal sentimento, porém, acabei por assassiná-lo naquele dia junto à teu corpo.

domingo, 5 de outubro de 2008

Branca e não fria.

O que uma parede pode sentir? Nada!? Ela está ali sempre parada. Possui uma tonalidade branca e se estende até o céu. Vive fixada em uma só idéia. Ela não fala, não sente, não reclama, e mesmo assim, parece estar satisfeita com isso que lhe foi imposto. Eu me pergunto; Como? Como pode isso? Nós sentimos, falamos, impomos nossa opinião e, apesar de tudo, nós nunca nos satisfazemos. Nós não estamos satisfeitos.

Porém há uma coisa que ela faz sem notar, coisa que nós não fazemos nem mesmo quando queremos. Ela escuta. Sim, ela houve a tudo e a todos, sem nada em troca pedir.

Ela leva a sua vida assim, e como é árdua a sua vida. Tenho que admitir, durante muito tempo ela me escuta, ela sempre esteve lá. E durante esse tempo, ouviu minhas palavras como se fossem preces, me observou de uma forma tímida incapaz de se opor a mim, e chego até mesmo a pensar que ela me entenda. Se isso pode acontecer?! Sim, ela me entendeu quando você simplesmente não quis nem me ouvir...

Pobre parede. Tenho que confessar minha pena por ti. Mas fico feliz por saber que você não sente o que eu sinto, queria até que pudesse sentir um pouco, mas somente para te satisfazer. Você se sente fria, tão calculável (e “imobita”). Mas, não quero que sinta a minha dor, meu pesar e toda essa carga que vem com o passar dos anos. Pensando bem, não sei se você mereceria isso, fique aí mesmo onde é o seu lugar. Não quero lhe incomodar. Não ... Nunca quis.

Bem, mas obrigada por me ouvir e me entender, mesmo sendo uma fria parede você é possuidora de dotes que seres humanos não têm. Estes seres dotados de inteligência não são capazes de se incomodar, eles não entendem nem a si mesmos. Obrigado fria parede por não ser tão fria como eles.

domingo, 28 de setembro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Compulsiva

Lendo compulsivamente.

Mais ansiosa me encontro, ao ver tantas palavras esperando a minha atenção, um minuto talvez, não, certamente não é o bastante. Quero ler compulsivamente como quem necessita de palavras para viver. Não me importo com o mundo, frio, incompreensivo. Quero apenas ler, como quem não sabe como viver, preciso das palavras, seja elas frias, duras, alegres, palpitantes... apenas preciso delas. Preciso de um bom livro que me tire toda a atenção, que me tire a tenção de esperar enquanto o mundo não acorda.

Certas pessoas costumam dizer que morri diante de um livro! ;S

Mulher

Quem me conhece?
Nimguém, nem eu.
Sou branca, sou dura.
Enegreço, amoleço.
Quem sou eu?
Nimguém sabe,
Muito menos eu.

Do fraco me rio, sou mais forte.
Disso me fio e me deixo vencer.
Hoje não choro. A noite me dobra.
amanhã verto lágrimas.
Quem faz meu retrato?
Que artista me pinta?

Onde meus traços
minhas linhas?

Sou mulher e me ufano
Mas, se no seio me atingem,
Me ajoelho e choro.

Não dá pena ver o esforço da jovem Baudelaire tupiniquim?

(O mundo de flora)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Nós podemos sentir ?!

Não custa nada nos olharmos no espelho e dizermos a nós mesmos todos os nossos defeitos, assim como também, não é perda de tempo amar verdadeiramente uma pessoa. Não falo do amor dos apaixonados, falo do amor incondicional acima de tudo e de todos.
Não há amor em vão, sempre somos recompensados, mesmo que por um sorriso ou até mesmo uma lágrima. E que seja respeitado todos os sentimentos. E que respeitemos toda forma de amar. O amor não tem cor, não escolhe o seu portador (sua vítima), apenas chega como um sentimento qualquer, até que te invade o peito com o livre deleite de amar.
Mesmo que por pouco, ame!!! Nunca tenha medo de sentir o que sentis. Pois todo humano pode amar sim!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eu e Você.


Desenhei num papel você e eu.
A chuva veio e nos molhou e
Sem nenhum receio invadiu as
Linhas não escritas.
Uma lágrima desavisada rolou dos seus olhos.
Aquele foi o adeus.
Caiu bem perto da minha ferida, e
Como de subido uma gota entrelaçou-me a boca,
Escorrendo, adentrando-se em mim.
E como era tão amarga, no final
Fez-se doce.
Mas o Sol ainda não iluminava.
Você me disse sem olhar-me nos olhos,
Que partiria sem mim.
Águas salgadas desceram sobre
Minha face, bem perto do limite
Dos meus lábios, tão seus que eram.
O Sol interrompeu nossas palavras, e
Você nada mais pode pronunciar.
-Eu partirei, - você disse. – te partirei em dois,
Metade ficará e a outra, metade, levarei comigo.
Nesta hora não pude mais te ver,
E nem você falar, apesar da imensa luz
Que iluminava sobre ti.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Borboleta.



Começo o dia bem. Olho pro céu, a sua cor é sem explicação, me deparo com uma borboleta a voar, não quero acreditar, eu estou tão frágil assim, não posso duvidar, ela está olhando para mim, mas sem querer falar, acho que sim, ela sabe o que eu sinto, o que eu não posso acreditar. Ela me vê todo dia, -sim, ela estava sempre lá- ela voa e pousa ao meu lado e fala; “um segredo eu vou te contar, não precisa acreditar, não precisa duvidar. Eu estou aqui só para te observar.”Diante disso eu não duvido mais, o que sinto não quero que me fuja jamais, e eu trancarei a sete chaves se for preciso para isso não me escapar, vou dizer, vou gritar, escuta não tenho culpa se comigo o destino quis brincar, mas vou logo a dizer borboleta que me espere, por favor não bata suas asas a voar.
O vento a toca quando eu não posso nem chegar, você é frágil, oh borboleta, tenho medo, medo de te machucar, tenho medo borboleta de sua asa quebrar e, então você não poder mais voar, se isso acontecesse confesso que sim, lágrimas iriam me escapar, dos meus olhos rolar, e quando me desse conta haveria inundações em meus olhos, borboleta isso não, tenho medo de te afogar. Por isso peço, por favor, não pare, volte a tentar, prometo que sentirei o que sinto e nada nem ninguém vai acabar com isso que você me fez sentir, sentimento tal que me comove, borboleta eu preciso de você.
Gostaria de ter asas para contigo voar, mas ao em vez disso tenho pernas que não pode te alcançar, você voa sobre o meu coração e eu me pego a cantar; “Oh, borboleta como é bom te amar, e querer-te só por querer não dá, borboleta eu te quero, eu te amo como nunca ninguém há de amar”. Eu te sinto mesmo que por pouco, mas para mim já basta, teu sorriso, teu voar e eu me pego a cantar; “Oh, borboleta como é bom te amar...”

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

De Beijo Eterno



Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-o com o teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz
Dormida em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa,
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!

De arrebol a arrebol,
Vão-se os dias sem conto! e as noites, como os dias,
Sem conto vão-se, cálidas ou frias!
Rutile o sol
Esplêndido e abrasador!
No alto as estrelas coruscantes,
Tauxiando os largos céus, brilhem como diamantes!
Brilhe aqui dentro o amor!

Suceda a treva à luz!
Vele a noite de crepe a curva do horizonte;
Em véus de opala a madrugada aponte
Nos céus azuis,
E Vênus, como uma flor,
Brilhe, a sorrir, do ocaso à porta,
Brilhe à porta do oriente! A treva e a luz - que importa?
Só nos importa o amor!

Raive o sol no Verão!
Venha o Outono! do Inverno os frígidos vapores
Toldem o céu! das aves e das flores
Venha a estação!
Que nos importa o esplendor
Da primavera, e o firmamento
Limpo, e o sol cintilante, e a neve, e a chuva, e o vento?
- Beijemo-nos amor!

Beijemo-nos! que o mar
Nossos beijos ouvindo, em pasmo a voz levante!
E cante o sol! a ave desperte e cante!
Cante o luar.
Cheio de um novo fulgor!
Cante a amplidão! cante a floresta!
E a natureza toda, em delirante festa,
Cante, cante este amor!

Rasgue-se, à noite, o véu
Das neblinas, e o vento inquira o monte e o vale:
"Quem canta assim?" E uma áurea estrela fale
Do alto do céu
Ao mar, presa de pavor:
"Que agitação estranha é aquela?"
E o mar adoce a voz, e à curiosa estrela
Responda que é o amor!

E a ave, ao sol da manhã,
Também, a asa vibrando, à estrela que palpita
Responda, ao vê-la desmaiada e aflita:
"Que beijo, irmã!
Pudesses ver com que ardor
Eles se beijam loucamente!
"E inveje-nos a estrela... e apague o olhar dormente,
Morta, morta de amor!...

Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!" diz a minha, a soluçar...Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morro por teu amor!

Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!


Autor: Olavo Bilac

sábado, 23 de agosto de 2008

Qual a diferença?!




Perguntei a um sábio ,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade…
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.


Autor: William J. Bennett

A fotografia





Olhe o que você fez com as fotografias,
estão invisíveis para mim,
você está invisível também.
É provável que não haja volta,
o tiro já foi disparado, mas esqueça enfim.

De faces e posições, estão todas sobre a ilusão,
a eterna ilusão de viver.
Cante mais uma canção, embalando
a sua ingenuidade em mim.
Eu abri minha mente para você;
Até onde você pode ver?!
O abstrato faz mais sentido que o comum.
Estão todos invisíveis agora.
Ah, não se esqueça de ligar a luz
até onde eu possa lhe ver.

Às vezes, eu fecho os meus olhos e
espero poder enxergar.
Agora estou sentindo, não posso com o
peso dos meus olhos, estou sentindo
tudo terminar.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Agora, eu dirijo!



Está acontecendo novamente, e eu
não posso negar a minha vontade de ir embora,
voar para o céu, sair pela cidade sem rumo,
e não olhar mais para o horizonte.
Agora eu quero ouvir a chuva
caindo levemente sobre a pista,
se fundindo, nesse cheiro, cheiro de mormaço.
Mas é tudo que eu posso esconder
dentro de mim; minha face despedaçada
diante do seu reflexo.
Vamos lá, agora, estrelas estão me esperando,
eu estou esperando à tanto tempo
por um lugar aberto, só meu, longe dessa prisão.
Mas está tudo quebrado dentro de mim.
Por todas as vezes que fui atingida,
pedras rolam sobre o chão.
Eu quero dirigir, até não ouvir nenhum som.
Eu irei dirigir toda essa situação.
E depois haverá silêncio, e então
não haverá mais nada.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Contando com as estrelas...



Contando com as estrelas,
para mais tarde não se esquecer
que do pranto fez a coragem
e das lágrimas a vontade de viver.

Correndo sem parar, chances
vêm e vão, simples vontade de viver
te faz flecha e arco, flecha no meu coração,
florido, estanca-me o sangue,
toda a dor.
Faz-me alegre, sem medo de cair.
Faça-me em pequenos pedaços,
triturados levemente,
junte-me ao mar, em um belo pôr-do-sol;
Em um pequeno ritual.
...
Feliz de quem te vê,
sortudo quem te sente.
Sorriso implacido, teus olhos
me cegam.
...
Estarei à esperar, por uma chance
menos ingrata, ficarei na rua,
em sua calçada, esperando a lua
e contando com as estrelas.

domingo, 17 de agosto de 2008

O CONDENADO



Alma feita somente de granito
Condenada a sofrer cruel tortura
Pela rua sombria d'amargura
- Ei-lo que passa - réprobo maldito.
Olhar ao chão cravado e sempre fito,
Parece contemplar a sepultura
Das suas ilusões que a desventura
Desfez em pó no hórrido delito.
E, à cruz da expiação subindo mudo,
A vida a lhe fugir já sente prestes
Quando ao golpe do algoz, calou-se tudo.
O mundo é um sepulcro de tristeza.
Ali, por entre matas de ciprestes,
Folga a justiça e geme a natureza.
Autor:( desconhecido)

sábado, 16 de agosto de 2008

Coldplay: Trouble

video

Solidão Coletiva



Solitariamente me vejo
Sob a força de um desejo
De ficar só

Solitariamente me atrevo
A encarar a solidão
Como um momento forte de discernimento interior
E m que devo trocar idéias comigo mesmo

Solitariamente me questiono
Sobre a vida
Sobre o tempo
Sobre o mundo
E ao confrontar a realidade toda
Vislumbro um flagelo de respostas angustiantes
Solitariamente me deparo
Com uma sociedade
Em acelerada decomposição dos valores humanos
Em que a solidão é subproduto da massificação

Solitariamente constato
Que o ruge-ruge da vida urbana
Industrial e comercial
Mesmo em meio s todo o progresso
Da comunicação
Da socialização
Tecnológico
Científico
E cultural
Não voltado para o homem
Mas para o capital
Fez crescer a “SOLITARIEDADE” entre os homens
Solitariamente fico a pensar...


Autor: (desconhecido)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Meus delírios, só meus...



Já é tarde, tarde para te pedir mais uma vez, um favor. Não te pedirei mais nada. Não quero mais estar aqui, me sinto inquieta, expressiva. A tarde vai se indo, sem que eu dê o meu adeus. Não vá, fique mais um pouco, olhe ao seu redor, o que vê? Você vê manchas em nosso tapete, vê a inquietação do meu ser. Mas por que ele está assim? Não me sinto com dignidade para responder. Escondo-me, mas você me vê, e vê a tarde se indo. Eu queria realmente fazer algo, mas nada de tão pequeno, quero algo maior, que não caiba na minha mão, que eu não possa levar ao mundo, mas sim levar a mim. Todos nós precisamos de algo, um gozo, uma inspiração, o que seja... (caro leitor perdoe estas palavras). Mas nós somos assim, e temos sempre um ar de querer mais... Mais querer o quê!?

Já está anoitecendo e quase não posso mais ver a folha na minha mão, minhas letras ficam turvas e estremecidas. Uma sombra me tira a luz, a minha visão já não me ajuda mais, confesso o que escrevo já tem tanto sentido (para mim) quanto o meu ser... Mas ao longe uma luz vem chegando, ela fecha as minhas janelas, estende as minhas roupas sujas. Ela é um pouco de mim e eu sou tudo dela. Faz-me ver além do meu nariz, me encontro e me reacho. Aprendo e "desaprendo" para mais tarde reaprender. Confesso sou assim, tão contente que chega a gritar dentro de mim: --Não fique ai no canto, a vida tem algo pra você, basta você pegar e ser.
A vida é não ser e querer. Talvez seja uma simplória a falar, mas o que ela diz nada quero esquecer, ela te manda ir em frente e a vida querer, pelo menos um pouco mais para aguentar até o último dos suspiros. Expirar lhe faz bem, a humanidade lhe renova. Ser impetulante, não tens medo de se ferir. Quanta magnitude há por traz de ti, em cada gesto, em cada ato teu, cada bocejar, cada gemido, cada lágrima derramada. Tu me refazes em prantos, e me chama para perto de ti, o que vejo agora não é um ser pensante, mas sim uma quase divina do querer e ser, transborda compaixão, empatia, amor. Tão graciosa, me faz te querer e sem saber me apego a ti, esse sorriso inebriante, tão linda a brisa do mar, me perco em teu ser, me afogo no teu amor, sem pedir um salva vidas, sem querer deixar de se afogar em ti, quem sabe... Não é tão tarde assim!!!